Com um texto dinâmico, a peça Paulo Francis está morto é um retrato fiel do mundo artístico atual. Impossível não sair do teatro comentando sobre as pseudo-celebridades que surgem a cada dia e suas peripécias para se manter sob os holofotes. Apesar de não citar nomes, faz referências claras aos participantes do Big Brother, que ao sair da casa global fazem de tudo para estender o sucesso conquistado nos meses que o programa esteve no ar.
O recurso de não citar claramente nomes é usado em outras passagens da peça e testam a capacidade de compreensão do espectador. É necessário conhecimento abrangente para decifrar referências à obra de Nietzsche ao programa Domingão do Faustão.
A narrativa é um recorte na vida do ator Hugo Hoffman (Paulo Coronato), que está no palco de um teatro fictício aguardando seu agente para um encontro. Mas quem aparece no lugar dele é Sandra Gonçalves (Flavia Garrafa), a mais nova celebridade do momento, cuja carreira também é controlada pelo agente de Hoffman. Ela entra em cena com uma proposta financeiramente irrecusável para o ator.
No texto, tiradas divertidas entretêm o público e “quebram” o tom crítico da montagem, que poderia ter deixado-a enfadonha. O recurso funciona: as piadas, devidamente colocadas no ponto certo da narrativa, aliada à convincente atuação dos dois atores fazem os 50 minutos de peça passarem rápido e deixam a pergunta “já acabou?”.
A peça pode até ter chegado ao fim, mas as discussões que surgem ao longo dela podem ser estendidas no andar de baixo do Teatrix, que abriga um charmoso bar/restaurante.
Onde: Teatrix – R. Peixoto Gomide, 1066
Quanto: R$ 30,00 – Dinheiro ou cheque
Até o dia: 29 de maio; sempre às quintas, 21h30.
Dica: chegue antes e aproveite para petiscar algo antes no bar antes da peça começar.
Site oficial: http://www.barteatrix.com.br/
